- Na hora que eu recebi essa notícia foi um susto. Eu fiquei muito emocionada - Assim ficou Carolina de Aquino Marques, a goleira de Mato Grosso que foi convocada para a fase de treinamentos da Seleção Brasileira sub-17 para o campeonato Sul-americano de futebol feminino.
A atleta mora em Peixoto de Azevedo, no extremo norte de Mato Grosso, a 692 quilômetros de Cuiabá. Todos os dias, a goleira enfrenta uma maratona, entre livros e treinos para crescer no esporte.
- Estou saindo de casa todos os dias às 05h da manhã para fazer academia, depois eu vou para a escola e à tarde eu treino. Tem sido um ritmo muito pesado - afirmou.
Antes de saber da convocação,Carol, como é chamada em Peixoto de Azevedo, estava cheia de planos. Ela estava disputando um campeonato local de futebol e estava cotada para jogar o campeonato estadual de futebol feminino em Rondônia, em dezembro.
Agora, com a oportunidade de defender a seleção, a atleta corre atrás de recursos para conseguir viajar até o Rio de Janeiro onde vai passar alguns dias em treinamentos.
- Eu não estou preparada financeiramente. Minha família está correndo atrás para esse objetivo – afirmou.
Na seleção ela só espera uma coisa.
- O que eu mais quero é me firmar para depois eu pensar no que eu vou fazer. Eu nem quero fazer planos. Tenho que me firmar na seleção.
Começo no esporte
Carol começou a jogar bola na cidade de Paranaíta, a 849 quilômetros de Cuiabá. Ela recorda que foi a avó dela quem a apresentou pela primeira vez uma quadra de futebol.
- Vim ter essa paixão em Paranaíta. Eu morei lá por dois anos e um belo dia, minha vó me levou para uma quadra, aí eu comecei a treinar, virou paixão e eu não larguei mais. Tinha entre sete a oito anos – confirmou.
Depois de sete anos jogando bola , um problema ainda persiste no futebol feminino mato-grossense, na opinião da atleta.
- O futebol feminino em MT está parado, tem pouco apoio. Não sou só eu que quero receber apoio. Tenho certeza que muitas outras meninas estão lutando pelo mesmo objetivo – revelou.
Entrosamento fácil
Para o treinador de Carol, Lenilton Mardine Neto, uma das qualidades da goleira dentro e fora dos campos é o entrosamento fácil em qualquer lugar.
- Ela sempre interagiu muito bem entre as atletas. Saiu muito nova para jogar fora.
Com 13 anos já estava em Rondônia, ficou um ano por lá. Voltou para Peixoto, depois foi parar no Mixto, em Cuiabá e nunca teve problema com ninguém. Esta é a vantagem dela – ressaltou Neto.
O amadurecimento já é visto dentro do gramado. Segundo Lenilton, quando a goleira toma um gol, não abaixa a cabeça e nem fica abalada.
- A atleta tem muita coragem e não tem medo de levar um gol. Quando isso acontece, ela levanta a cabeça e consegue se superar para fazer grandes defesas – afirmou.
Carol deverá se apresentar, na Granja Comary, no Rio de Janeiro, junto com as outras convocadas, no dia 21 de novembro. Todas vão treinar juntas até 4 de dezembro. Para Carol, este será o primeiro desafio na Seleção. Ela não quer compor o grupo das jogadoras que serão dispensadas.
-Vou tentar ser a melhor, ganhar o apoio de quem eu preciso. Penso em ir longe, realizar este sonho que vai ser a maior realização da minha vida - finalizou.
Por: Globo Esporte