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Acrimat diz que JBS vai suspender compra de bois para abate por 3 dias

Publicado dia 22/03/2017 às 12h17min

Diretor da entidade em MT disse ter recebido comunicado nesta terça. Para ele, produtor sente o impacto negativo de imediato.

A Associação de Criadores de Gado de Mato Grosso (Acrimat) afirmou ter recebido um comunicado da JBS informando sobre a suspensão temporária da compra de bovinos para abate nas 11 plantas frigoríficas da empresa em Mato Grosso, após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. O G1 entrou em contato com a JBS e a assessoria informou que iria se manifestar em nota, mas até a publicação desta reportagem.

Segundo o diretor-executivo da entidade, Luciano Vacari, a compra deve ser suspensa nesta quinta-feira (23) e deve seguir até sábado (25).

Alguns frigoríficos, no entanto, já suspenderam o abate. Em Araputanga e Pontes e Lacerda, a 371 km e 483 km de Cuiabá, respectivamente, por exemplo, o abate está suspendo desta esta terça-feira (21), segundo o deputado Wancley Carvalho, que tem essa região como base eleitoral.

Para o diretor da Acrimat, o produtor sente o impacto dessa suspensão de imediato. "O produtor já se programa. Pensa, vou abater tal dia e receber tal dia, tudo isso é programado e, quando acontece algo assim, quebra a estrutura do negócio, então não sabe como vai hontar o seu compromisso, onde abater os animais", explicou.

Segundo ele, os produtores ficarão três dias sem saber onde irão abater o gado. O comunicado de suspensão foi feito pelo diretor de Originação da JBS, Eduardo Pedroso, nesta terça-feira (21).

Além dessa suspensão da JBS, conforme a Acrimat, os produtores enfrentam outros problemas, como a prorrogação das datas de pagamento, em outros frigoríficos.

"Já recebemos a informação de produtores de que o frigorífico tinha combinado de fazer o pagamento em 30 dias e agora pediu mais prazo de 45 dias. Tem outro frigorífico que já tentou baixar em R$ 5 o valor da arroba do gado", disse.

Na avaliação do diretor da entidade, o momento requer precaução, cautela, até a normalização do mercado, tanto para a indústria quanto para o produtor. "O que a Acrimat não vai admitir é que as empresas aproveitem esse momento de insegurança para tirar proveito econômico", declarou.

Em Mato Grosso, 20 mil cabeças de gado são abatidas diariamente.

O pecuarista Ricardo Arruda, que tem fazendas em Poconé, Chapada dos Guimarães e Campo Verde, disse que as plantas da região pararam de comprar gado. Ele iria embarcar uma carga de bovinos . "A gente deduz que haja retração do mercado nesse momento, mas acreditamos que em um curto prazo a situação seja normalizada", declarou.

Ele embarcou nesta terça-feira um lote de animais para um frigorífico, referente a uma venda feita na semana passada antes da operação. Essa semana, ele disse que as empresas suspenderam as compras.

"Como alguns países já trancaram suas portas para as carnes nacionais, essas carnes tendem a ser remanejadas para o mercado interno, então pode ser que haja um reflexo negativo nos preços pagos ao produtor", avaliou.

Operação Carne Fraca

Durante a Operação Carne Fraca, a Polícia Federal prendeu 36 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de fraude na produção e comercialização de carne. Algumas já deixaram a prisão.

Além de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e produtores, a investigação encontrou indícios de adulteração de produtos e venda de carne vencida e estragada. Das 21 fábricas investigadas, 18 ficam no Paraná. Em Mato Grosso, não há nenhuma nessa lista.

Há ainda a suspeita de que partidos políticos tenham sido beneficiados com o pagamento de propina.


Fonte G1 MT


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