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Ex-secretário preso por grampos teria atuado no governo após exoneração

Publicado dia 05/08/2017 às 07h36min

Magistrado diz que não pode admitir que Paulo Taques se valha do prestígio que ainda ostenta para tentar prejudicar as investigações policiais e mandou prendê-lo.

A saída de Paulo Taques do cargo de secretário-chefe da Casa Civil, em maio deste ano pouco antes do escândalo dos grampos clandestinos vir à tona, teria sido meramente formal, como consta na decisão do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando Perri, que mandou prendê-lo. Paulo Taques, que é primo do governador do estado, Pedro Taques (PSDB), e foi preso pela Polícia Civil nesta sexta-feira (4), continuava tendo acesso ao governo.

Em nota divulgada pela assessoria, Paulo Taques negou ter ordenado as interceptações telefônicas e obstruído as investigações e não agiu no sentido de estimular a ocultação ou destruição de provas. Já o governo do estado informou que ainda irá se posicionar sobre o caso.

O governo estadual afirmou, também via nota enviada pela assessoria, que são improcedentes as afirmações de Paulo Taques continuou exercendo influência sobre agentes públicos vinculados ao Executivo a ponto de desfrutar de favores indevidos e que apoia todas as investigações em curso nos inquéritos conduzidos pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Ao determinar a prisão do ex-secretário, o magistrado argumentou que Paulo Taques continuava tendo acesso ao governo, por ter sido considerado o homem de confiança do governador.

"Apesar de não mais exercer o cargo de secretário-chefe da Casa Civil, o investigado Paulo Taques goza de grande prestígio no âmbito do Poder Executivo Estadual, não apenas pelo grau de parentesco mantido com o governador [primo], mas, também, por ter sido, durante anos, seu homem de confiança", declarou Perri no mandado de prisão contra o ex-secretário, que é advogado.

Como um dos argumentos para a prisão do ex-secretário, o desembargador, que conduz as investigações do Tribunal de Justiça de Mato Grosso sobre o caso, afirma não se pode admitir que o ex-secretário se valha do prestígio que ainda ostenta para tentar prejudicar as investigações policiais.

Segundo Perri, uma demonstração dessa influência que Paulo Taques ainda exerce é o fato de o governador Pedro Taques, primo dele, declarar publicamente que o ex-secretário apenas cumpriu o papel institucional dele no caso das interceptações telefônicas.

Outro exemplo citado pelo desembargador é a nomeação de José Adolpho de Lima Avelino Vieira como substituto dele na Casa Civil. Conforme o magistrado, José Adolpho atuava como braço direito de Paulo Taques desde o início da atual gestão, além do que é irmão de um advogado que trabalha no escritório de advocacia de Paulo Taques.

"Pode-se dessumir, iniludivelmente, que Paulo Taques possui amplo e irrestrito acesso a tudo que diz respeito à Casa Civil e que a saída do governo pode ter sido meramente formal", diz trecho da decisão.

Para o magistrado, a prisão preventiva do ex-secretário também é imprescindível para evitar a destruição de provas. "Se os membros do grupo tiverem acesso ao software e ao hardware de interceptação telefônica, até o momento não localizado, por certo que a possibilidade de encontrar alguma gravação ou áudio de interceptação telefônica clandestina será praticamente zero", pontua.

Outro argumento usado para a prisão de Paulo Taques é o risco de adulteração de provas. Perri aponta que o sistema de protocolo da Casa Civil foi fraudado quando ele era secretário, conforme foi identificado pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).


Fonte G1 MT


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