Greve no Detran gera mais de 10 mil processos acumulados em auto-escolas de MT

Publicado dia 26/09/2017 às 08h54min

32ª CIRETRAN de Peixoto de Azevedo aderiu a paralisação.

Cerca de 10 mil processos estão parados nas mãos dos despachantes devido à greve dos servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran) que completou 14 dias nesta segunda-feira (25). O processo para confecção de Carteira Nacional de Habilitação e renovação também está prejudicado.

O presidente do Sindicato dos Despachantes, Adilson Ribeiro, informa que é possível abrir o processo pelo Sistema on-line, mas a auditória que precisa ser feita no Detran não ocorre. “Estou indo todo dia no Detran, porque falam que tem 30% de funcionamento, mas são só para setores que não atendem ao publico como Almoxarifado, Pessoa e Recursos Humanos”, afirma.

A preocupação do sindicalista é que o embate entre o Sindicato dos Servidores do Detran (Sinetran) e o governo do Estado perdure por muito tempo. “Se o governo não flexibiliza e nem o sindicato, quem sofre é a população que fica sem atendimento”.

Nas contas de Ribeiro cerca de 70% de todos os processos que são ingressados no Detran são feitos pelos despachantes. “Se os servidores voltassem hoje não iríamos ver a fila no Detran, porque agora é tudo agendado. Mas teremos uma ‘fila virtual’. Acredito que dos cerca de 10 mil processos o setor de vistoria levaria uma semana para colocar o trabalho em dia”, avalia.

Para a presidente do Sindicato das Autoescolas, Niceia Arruda, os centros de formação de condutores já vêm sendo prejudicado faz tempo e agora a situação se agravou. “Nós não somos contra a greve, pois todos os trabalhadores têm direito de lutar pelos direitos, mas queremos que a lei da greve seja cumprida. Achamos que os 30% não pode ser só em determinados setores, tem que ser em todos”, avalia.

Na avaliação da sindicalista as auto-escolas não estão sendo atendidas, mas se o usuário vai até a diretoria são atendidos pelos terceirizados. “Estamos sendo castigados. Já até encaminhamos um ofício ao Detran para saber porque os usuários são atendidos no balcão e as autoescolas não”, aponta. “Já passou da hora desse governo negociar com a categoria”, completa Niceia. “Se na capital a situação está ruim, imagina no interior”.

“Nós servidores não queremos ficar em greve, mas o governo nos obriga com sua intransigência. Não estamos reivindicando nenhum absurdo que irá quebrar o Estado, mas apenas o que é justo, visto que estamos sem atualização da tabela salarial desde 2011. Não estamos reivindicando um aumento para ser pago integralmente na próxima folha, mas uma proposta razoável, que de fato corrija a discrepância salarial que a categoria enfrenta diante da política salarial no Estado”, afirma a presidente do Sinetran, Daiane Renner.

Na sexta-feira (22), após não comparecer a reunião no Núcleo de Mediação do Tribunal de Justiça, por meio de nota, o governo do Estado afirmou que a greve dos servidores da autarquia é ilegal e que, por isso, não irá mais negociar com grevistas.

Justificou que a equipe econômica do governo compareceu à primeira audiência de conciliação, na segunda-feira (18) e realizou reunião com a diretoria do sindicato na quarta-feira (20), mas não chegou-se a um acordo. Ainda endureceu o discurso e anunciou que haverá corte de ponto daqueles que não comparecerem ao posto de trabalho “prejudicando os serviços prestados à população”. Mas ao final da nota ponderou: “O Governo admite a possibilidade de retomada das negociações, desde que os servidores retomem imediatamente seus postos de trabalho”.


Fonte Gazeta Digital


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